segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Amor e violência

Tela azul.
Erro.
Já começou mal. Mal demais. Entre amor e violência não pode haver um "e". Conjunção pacífica de concordância e adição. "e". Cara de pau apresentar amor ao lado de violência com um "e" nos dizendo que tudo bem.

Poderiam me dizer que todos compreenderiam que não há aproximação ou concordância só por causa do "e". Talvez me falassem que estava subentendida minha crítica. Mas na violência, o silêncio também pode magoar... o subentendido pode ofender... o não dito é também cruel. Então deixemos tudo no claro. Nada de "e" entre o amor e a violência.
Vou tentar de novo....

Desamor e violência ?
Ex-amor e violência ?

Mas o absurdo continua! Não amar é motivo para violentar?! E deixar de amar, perceber que o amor não é eterno ou suficiente... justifica o abuso físico e emocional?!
...

Deixarei assim, espero que fique claro:

Amor? Violência!

(Agora parênteses metalinguísticos: a partir deste título, vou adaptar este texto pruma estrutura de perguntas e respostas, certo? Vamos ver se funciona.)

Quando ele diz que te ama e por isso sabe o que é melhor pra você, quais amizades são boas, que aquela sua amiga não serve.... é amor?
Violência.

E aquela gíria que você usa? Ele reclama? Não gosta? Aí acha que tem direito de reclamar? Desde quando ele é seu dono?

Quando ele quer te mostrar o quanto você experimentou uma realidade de vida cercada de oportunidades, destacando questões sociais e te mostrando conflitos, talvez pudesse ser amor....
Mas se ele faz isso te acusando, xingando, apontando o dedo cruelmente, personalizando uma disputa de classes... te assustando... afirmando que numa disputa, o tiro sairia da arma dele na sua direção e da sua família.... é violência.

Se ele não sabe algo e você sabe e explica e ele não acredita, te interrompe, pede provas.... Machismo. Ele está delicadamente te dizendo que você deve provar que sabe. Como assim você sabe algo que ele não sabe? "Da onde você tirou isso?" "Deixo eu ver seu caderno, vai...". Descrédito. Superioridade. Violência.

(Você percebe que ele não precisa te xingar todo tempo ou te bater pra destruir sua auto estima?)

Quando você erra e pede perdão e é acusada e ofendida... violência.
Quando ele erra e não sabe pedir desculpa... violência movida por um egocentrismo de quem nunca está errado.

Se ele nunca está errado, mas te faz sempre pedir desculpa ao final... "eu devo estar errada, né?" já deixou de ser amor e você nem viu quando se tornou violência.

Quando ele te leva pro mundo dele, pros amigos, pro dia a dia sem nunca entrar na sua vida, sempre acusando a sua maneira de vida de ser qualquer coisa de ruim, é maldade, é cruel, é violento.

Ao questionar seus hobbies, seus hábitos, sua maneira de se divertir, sempre impondo os desejos, os filmes, os rolês dele... desrespeito, imposição, machismo, violência.

Quando ele te critica por beber com suas amigas, ciumento, possessivo, faz drama e joguinho, manipulador.... e você cai. Se submete. Pede desculpa. Viu como mesmo sem perceber ele violenta teu espaço, tua individualidade, tua identidade?

"Ah, Luísa, que exagero, nada ali foi violento..."

Não?

Quando ele deliberar que você dormindo estava "querendo"? Também não é abuso? Vai ver ele entendeu mal, vai ver não foi violência...

(Comentário de um amigo sobre o "entender mal": se existe a mínima possibilidade de aquilo ser minimamente mal interpretado, se tem chance de alguém achar que não foi consensual, se você cogita que pode ser abuso para alguém em algum contexto: você pára.)

Nem a hora em que ele, acostumado a ter você de capacho e submissa, te objetifica e te trata como coisa dele, desrespeita a sua história, a história de vocês, sua vontade, seu pedido, seu "não"?

Quando ele te ignorar e não parar, vai ser violência?

E quando ele, surtado, te beliscar e machucar pra você aprender a se comportar como ele gostaria que você se comportasse? E nessa hora, você vai entender que é violência?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Meu Dom Quixote,

Meu heróico e louco sonhador,

Vejo tuas batalhas de camarote. Assisto uma a uma tuas quase touradas, tuas corridas e curvas e aplaudo teus movimentos mesmo quando me olhas em desprezo. Tua fã, sim, tua torcida, sempre. Mas não mais tua.

De teu mesmo, só tens o amor que viveu por mim. Os resquícios, a raiva talvez... Já não sei. Não me pertencem mais estes capítulos. Não sou tua Dulcinea. Eu não acho que saberia ser mais nada que fosse teu. Sou minha agora, meu herói. Desculpe. Hoje quem me salva sou eu. Teu sonho não cabe em mim. Teu sonho não sou eu.

Não peço que sonhe diferente, entenda. Peço que ainda sonhe e sonhe muito. Só não sonhes comigo. Não sou eu o teu sonho. Talvez eu seja mais o pesadelo, o moinho de vento, o dragão que imaginas perigoso... Poluo tua imaginação e sabemos que tiro teu sono não mais de um jeito bom. Que pena, cavaleiro errante, que pena.

Segue teu rumo, Dom Quixote. Segue em teu poderoso cavalo, segue de espada e capacete... Segue com teu fraco Sancho Pança em um desprezível pangaré. Eles te amam de um jeito cego que eu jamais saberei amar. Vai ver por isso sou tão moinho... Por saber cegamente te amar, mas não te amar cegamente.

Meus olhos percebem, meu amor errante, que são  moinhos e que tua luta, por mais sangrenta que seja, é vã e vaidosa. Mas e daí? Não me proponho te julgar ou entender. Não me proponho coisa alguma. Vejo a loucura e me afasto. Não serei eu que, te vendo fora de si, me deixarei tragar por estes dragões que desenhas certo por linhas tortas.

Vá embora, meu caro. Leve teu espanhol, tua língua, teu falar. Vá embora, leve o violão, a luz avermelhada, o conhaque à meia noite. Vá embora de cavanhaque e cabelo solto. Vá e leve tuas leis, tuas regras, tua falsa liberdade angustiante. Vá. À pé, à cavalo, vá. Vá pra longe, um longe que eu jamais entenderei, mas vá. Vá e logo. Simples e livremente.... Vá. Siga livre, siga vaidoso, orgulhoso que só. Siga louco e lindo... Siga leve. Siga herói e bandido. Siga antagonista de si mesmo, siga voando e... tome cuidado com o vento.
Vento ardiloso que transforma o moinho em dragão...
Vento maléfico que transforma em perigo o que mal nunca te fez...
Vento que soprou pra sempre a chama da nossa vela... e me apagou da tua vida.

Moça das letras.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

À deriva

Eu estou num barco à deriva.
Não tenha como controlar
a força da (tua) natureza que se impõe:
Teu mar, teus ventos, tuas ondas...
Tudo em ti me atinge e me move.
Meu corpo barco precisa do teu balanço para continuar navegando.
Navegar é preciso, viver não é preciso.
Navegaria sempre, se preciso fosse,
Até novamente ter a ti, minha odisséia.

Hermes me avisou....
"Da Natureza não há fuga".
Dela pode-se tudo tirar e a tudo se submeter.
Sugo tudo que há de ti.
Por ti sou igualmente consumida
no nosso eterno movimento...
Cala-se, passivo, Cronos,
silenciado pela nossa eternidade.

Se nosso eterno chegar ao fim?
Se o movimento cessar, como poderei aportar?
Tuas baías e enseadas naturalmente me aguardam.
Nelas consigo perceber-te cais,
desejando e aguardando-me silenciosa e amorosamente.
Teus braços restinga me circundam...
A noite toda. O dia inteiro.

Poseidon não me atinge mais.
Afrodite me inveja.

As noites recortadas pelos poderes de Zeus,
que clareia o céu em luz para espionar nosso movimento,
São testemunhas da subida diária de tua intensa maré...
A lua te chama e tu atendes... trazendo água até mim....
E eu guardo em mim teus respingos noturnos.

Teu ar me infla. Eu me rendo à vontade da tua boca,
Meu Dionísio de riso grande, de lábio macio...
Se tua natureza não me tocar a todo tempo, que serei eu?
Barco sem rumo? ...não quero ser.
Tenho norte e sei onde ir.

A sábia Atenas me guia, Eros me provoca...
As sereias tentam me seduzir
para que me afogue em outros mares.
Chamam-me para as pedras,
para que me destrua nos rochedos.
Não.
Não vou.

Aguardo pacificamente
a hora em que tua deliciosa geografia
me receberá por inteiro.
Aguardo a hora de aportar na tua natural praia selvagem...
E viver tal qual náufrago...
Refém e entregue a ti.

sábado, 23 de julho de 2016

É Amor

Ontem eu disse que te amava um amor pleno e completo. Um amor que ia além de definições de amizade ou de tesão. Que ia além de carinhos e distância. Além da lógica. Um amor necessário. Isto sim é amor.

Ontem eu te defendi e cuidei de você. Por ser você.... você. E te defendi e te amei. Como sempre. Todos os dias. Eu compro suas brigas. Quaisquer brigas. Em "você versus o mundo", pode ser que eu aposte no mundo, mas vou lutar é do teu lado Pra mim, isto também é amor.

Ontem eu saí pra fumar a beira mar. Cigarro simbólico, ponte pra que eu te leve, como sempre, comigo. Amado, tragado, vivo. Tenho você em mim. Quer mais amor que isso?

Eu te amo perto de mim. E te amo distante com uma pitada de saudade. Tempero conhecido num paladar que tanto descobriu contigo. Minha especiaria favorita é você. Viajo o mundo, como comidas diferentes e temperadas e caprichadas.... gourmetizadas. A comida que eu quero? Qualquer uma desde que o cozinheiro seja você. Quero teu tempero, teu gosto, teu doce e sal. Isso só pode ser amor.

Hoje é dia do amigo. Também te amo, amigo. Amigo brother, amigo cantiga medieval, sublimado e distante. Também te amo herói e cavaleiro, te amo pau pra toda obra. Isso não é nada além de tudo: amor.

Hoje, dia do amigo, passo longe de ti como passei o dia dos namorados. Não deixei de ser tua amiga, teu amor, tua namorada. Não quero deixar de ser. Se o futuro nos pertence, não sei. Mas se tem algo que quero de presente, meu maior presente, minha verdade... É você.

Não seria isto... amor?

Então não definamos o amor. Não brinquemos com a palavra. Vivamos dele como o presente que é.

Nosso amor é um presente.
Nosso amor é presente.
Tão presente.
Tão nosso.


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Desastre natural

Raios, tempestades.
Ventania tirando tudo do lugar.
Terremoto.
Eclipse.
Você é um destes eventos (desastres?) naturais que acontecem súbita e abruptamente,
tão naturalmente que não se pode disfarçar...

Um cataclisma.
A erupção de um vulcão.
Um meteoro cortando o céu.
Uma chuva deles, colorindo a noite.
Você é destas coisas sobre as quais se criam as mitologias.
Você é destes eventos que justifica lendas de deuses e gigantes.

Uma avalanche, um deslizamento de encosta.
A rachadura de uma geleira.
Um maremoto.
Você é assim. Avassalador. Incontestável.
Destruidora transformação de mundo.
Muda tudo, todo o relevo, todo clima, toda a vida....
Muda tudo...
em mim.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Estou indo....

Desculpe.
Eu gostei de você como quem tem esperança na vida.
Gostei como quem sonha com uma coberta macia e uma cama para descansar.
Gostei como amiga e como mulher, gostei sim.
Mas, hoje, vou me despedir. Eu tenho que ir.

Estive feliz e segura do seu lado.
Sem risco... Sem mágoa... Sem explosões.
Sem dizer adeus, sem lágrimas...
Preciso ir.

Você me ajudou em tantas vezes que eu nem mereci... Obrigada.
Me visitou e comprou meus sonhos. Minhas bobagens...
Companhia. Companheiro.
E agora eu preciso te abraçar, e te deixar partir.

Eu tentei não mudar a gente.
Por favor, acredite.
Tentei não magoar um centímetro de você.
Mas não vai dar: é justamente isso que eu vim fazer....
Magoar o mínimo possível, é claro, mas magoar.

Vou te manter num espaço reservado e especial.
Um lugar das coisas que só fazem bem.
Um lugar das coisas pelas quais a gente agradece...
Vou te proteger, guardar, cuidar...
Para que, assim, eu possa ir.

E se eu achasse que eu poderia um dia voltar, eu te pediria que esperasse...
Mas eu não sei aonde vou.
Só sei que vou.
Rápida.
Louca.
Correndo entre os carros.
Desviando daqui e dali, sempre em frente...
Como se na garupa de uma moto, eu estou indo.
Voando.
Desculpe.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

sobre amar

Eu ainda te amo com a mesma intensidade absurda.

É, não virou ódio nem mágoa.
Não virou nem uma saudade triste.
Continuo com o mesmo sentimento aqui.
Um carinho absurdo e uma vontade de cuidar.

Aí me perguntam, mas então... por que não procurar ele?
E eu respondo: é que, desta vez, eu tô me amando pra caralho também.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Epifania

Faltou honestidade.
Não foi falta de amor. Nem foi falta de amar.
Foi como quem salta, desesperadamente, de um barco naufragando.
Eu tentei mais do que nunca aprender a te velejar...
Você tem potencial pra cruzar todos os oceanos, os ares, pra realizar o que quiser...
Mas você não quer, mas você não quis tentar novas rotas.
Preferiu ser o barco de sempre. Atracado...
Você, com medo de enfrentar novas tempestades em mares nunca antes navegados, tremeu.
Com medo de ser arrebatado por uma onda, afundou, sozinho, ainda no cais.

Desculpe.

Com muito sofrimento e engolindo muita água eu aprendi a nadar.
Não posso deixar que você me naufrague assim.

Trilha sonora triste. Luz indireta. Silêncio.
No coração as mesmas notas e as mesmas frases de desculpa e arrependimento. Uma tristeza cheia de saudade. Uma saudade cheia de mágoa... mas sem lágrimas. Uma dor que dói só por dentro. Que esmaga e consome, mas que não pede ajuda por saber que não há solução para dores com nome e sobrenome. Sofre-se quieto.
Não se pode pedir ajuda pelo mesmo assunto sempre. Não se pode sofrer pela mesma causa. Não? 
Então, lidando com a falta, aprendendo com a decepção, aturando a ausência, digerindo sozinha, eu sinto muito. Sinto só. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

2016

O ano é novo.
Eu não.

O ano é dois mil e seis e faz onze anos que me formei. Quatorze anos já passaram desde que mudei de cidade. Oito deste que tinha vinte e já são dez anos que respondo legalmente por meus atos. São uns cinco ou seis anos de formada na faculdade. Graduações comecei quatro, Terminei uma. Larguei uma. Troquei uma por outra e esta eu estou terminando. Tenho uma pós. Falo dois idiomas e meio. São dez anos desde que prestei vestibular pela primeira vez e dois dias desde que prestei, talvez, pela última.

Moro em duas casas, em duas cidades. Sempre num um só país. Mas já viajei por uns...  mais que cinco e menos que dez. Três continentes. Muitos estrangeiros.

Tenho vinte e oito anos. Muitos amigos, duas grandes famílias, duas afilhadas, uma penca de primos, um número maior ainda de primos postiços, uma quantidade ainda maior de alunos, um número muito menor de afairs e dois ex-namorados.

E nesse monte de número, eu gosto muito mesmo do número treze. Número da sorte pra mim, do azar pra muitos. É quase o dia do meu aniversário. É a soma de cinco e oito, números dos quais gosto muito. É. Sou dessas. Não gosto do quatro. Nem do sete. Gosto do cinco, do seis, do oito.

Dia treze de janeiro, primeiro mês, de dois mil e dezesseis... Espero que seja o dia um da parte dois, a melhor parte, da minha vida.




terça-feira, 1 de setembro de 2015

Retornos

A Terra... ela é redonda. E ser redondo quer dizer que algo se inicia e termina onde recomeça e se encerra sem acabar.

Eu tinha medo de coisas assim, ciclos sem fim. Ainda tenho, na verdade. Acho que coisas sem fim podem ser perigosas. Entenda, o perigo não está em não acabar, mas na insistência em existir e continuar, como uma mancha que não sai ou uma ferida chata que não cicatriza.

Pois bem, estava eu com uma cápsula do tempo em mãos. Sim, um objeto que guardava em si parte da minha vida, todo um tempo, todas as fotos, muitas das memórias. As boas, em pastas visíveis, as ruins em cantos esquecidos... Seria este um atalho para um desses ciclos sem fim?

Sabe essas formigas suicidas que andam em círculos até morrer? Elas não sabem que estão se matando. Elas só percebem que tem que andar... E andam... Repetindo mais do mesmo, sem perceber, sem saber parar, numa coisa desesperada e fatal.... sem fim...
Não queria ser uma delas.

Mexi, abri, vi. Vi que tinha muita coisa pra jogar fora. Percebi que as coisas insistem e existem o tempo que a gente deixar. Entendi que nem toda história deve ser prolongada. Aceitei que as coisas que não fazem mais bem devem mesmo chegar ao fim.

Guardei o que do ontem julguei digno de memória. Joguei fora o que me doía, deletei históricos e abri espaço no hd.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Hashtag

Incrível como, nos tempos de #hashtag, seguir uma simples #hashtag é seguir todos os passos de uma história de #amor.

Mais um retorno

Estava estudando (procrastinando, postergando, enrolando e demais palavras quase sinônimas) quando uma mensagem inesperada me jogou aqui. "Como vai seu blog?" ... ih, é mesmo, como vai o meu blog?
Sim, um blog.
Um sempre vivo, ainda que meio morto, blog.

Então estou eu aqui. Sem nenhum sentimento gritante. Sem nenhuma dor insuportável. Sem mágoas que mereçam palavras pensadas e, às vezes, rimadas.
Estou aqui como quem encontra um álbum velho e lembra de coisas e momentos ou como alguém que localiza a chave de uma porta há muito antiga e trancada.
Estou como quem visita uma casa que é e sempre foi sua, mas que mudou um pouco, empoeirou na  ausência, sofreu calada a solidão do silêncio.

Sem mais metáforas, voltei. Cá estamos, eu, você, as palavras... Mais uma vez.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Resumo da ópera

Ele não tinha previsão ou ambição de futuro.

E ela tinha.

Muitas ambições.
Muita paixão.
Muito amor.
(E não deixou um segundo de amar e amar...)

Mas até onde estava disposta a abrir mão do futuro que sempre sonhara por ele?
Até onde estava disposta a abrir mão de si mesma?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Minhas cores

O mundo girou.  As cores, as tintas, os pincéis... tudo se misturou.
As telas colorindo-se e sendo coloridas. Respingos azuis, verdes, escorrem no rosa um vermelho escuro sem fim. Deixo secar o óleo. Deixo a cor dormir.
As pontas de lápis descansam na mesa, mancham minhas mãos cansadas de giz. Os restos de borracha apagam em sonho as escapadas da mão, os olhos fechados já esquecem. O papel, canson rancoroso, não apaga essas marcas tão fácil assim.
Com um compasso, caminho novo traço. Sempre voltando e passando pelas mesmas curvas. Constantes curvas. Todas suas, as minhas curvas.
E nesse mundo que eu tento retraçar, apagar, mudar de tom... vou e volto. Redondamente esbarro, após ir procurar, nas tuas cores.
E vejo que ainda usas as cores que te dei.

Do silêncio da tela em branco emerge toda uma palheta de Infinitos... Todo um sem fim que já não mais me importa:
- Você ainda pinta com as minhas cores.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Você ainda tem a mim

Eu ainda sinto seus braços apoiados, largados,no meu quadril. Eu ainda sinto sua pele. Seu peito respirando pesado não me deixando dormir. Eu ainda sinto falta da companhia, do amigo, do antes de tudo que acabou acontecer. Eu ainda sinto.

Eu ainda tenho cada coisa que você me deu. Cada desenho. Cada quadro. Todas as nossas fotos. O pingente. O imã. Os souvenirs de viagens. Blue rays. DVDs. Todos os livros.

Eu ainda tenho você.
Por isso, sem mais, sem menos, você tem a mim.

domingo, 16 de novembro de 2014

Pode vir

Eu vi o que estava acontecendo.
E eu deixei.
Deixei você dominar tudo.
Deixei cada centímetro de mim à sua disposição.
E foi delicioso.

Eu ouvi seus cuidados comigo.
"olha o carro"
"vem aqui"
"cuidado com a escada"
Eu senti sua mão na minha perna.
Seus carinhos no meu braço.
Cafuné.

Eu vi o que estava acontecendo.
E eu deixei.

É que minha carência e meu precisar de carinho
agora ocupam tudo em mim...
             (E combinam mais com uma hipótese de futuro,
                    do que com uma saudade de passado.)

Vem ser minha hipótese de futuro.
Eu vejo o que está acontecendo.
E eu deixo.
Pode vir.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

De noite

Meu sonho,
como o sono você chega, sorrateiro.
Sem alarde, com calor e conforto, com carinho... Dormi.
E então, domina minha noite, toma pra si tudo de mim.
Embebeda, enebria, enlouquece.

Minha insônia,
como a falta de sono, a falta de futuro, a falta de calma...
Como toda e qualquer angústia, você se instala.
Toma pra si os espaços vagos, senhor de mim.
Mantém meus olhos abertos, meu corpo aceso,
fico ligada, alta, dopada.
Não posso abrir mão.

Amanheço como quem não dormiu,
um misto de saudade da noite e remorso pelo sono perdido.
Um misto de cansaço e de alegria das noites bem passadas em claro.

Minhas noites são tuas.
Meus dias são teus.
Meu maior. Meu sonho. Pesadelo... eterno.
Insone, sigo.
Até o dia em que, ainda sonhando, eu acorde....
                        e perceba que a gente, de fato, aconteceu.

domingo, 9 de novembro de 2014

Possibilidades

Todos os outros são infinitos.
Todos os outros são plenos e falhos em toda e qualquer coisa.
São vazio e completude, a eternidade e o efêmero que... já passou.

Todos os outros tem em si os beijos, os carinhos...
Em todos há o sexo, há o romance.
Em todos há a possibilidade de sim.

Em você, meu querido, a certeza do não.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Bye.

Hi. This is me. Again..And for the last time.
I do not have your numbers anymore. I deleted your pictures. Soon I will not have you in any kind of network. For good. 
I loved you. And to get rid of this big empty space that old, forgotten feelings leave behind, I will erase you too.
I will be the nice young lady you once met. I will say my goodbyes. Then, when I am done saying goodbye, I will erase all of those you brought to my life. Hopefully, as I let each one of them go, you will be definetly gone too.
I can't put you away like an old toy. But I can, and I will keep you out of my life.... out of my sight. Nothing that can come from you will be good for me now.
And I am sending you this letter to announce my decision. 
And I expect that you will read it and understand that I need yours.
(You won't read. You won't understand)