domingo, 25 de maio de 2008

LOGOS ~ Antero de Quental


Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mim
E, o que é mais, dentro de mim - que me rodeias
Com um nimbo de afectos e de ideias,
Que são o meu princípio, meio e fim...

Que estranho ser és tu (se és ser) que assim
Me arrebatas contigo e me passeias
Em regiões inominadas, cheias
De encanto e de pavor... de não e sim...

És um reflexo apenas da minha alma,
E, em vez de te encarar como fronte calma,
Sobressalto-me ao ver-te e tremo e exoro-te...

Falo-te, calas... calo, e vens atento...
És um pai, um irmão, e é um tormento
Ter-te a meu lado... és um tirano, e adoro-te!



ah, se eu te dissesse, ah se eu te pudesse... dizer...

2 comentários:

Thiago Yaagob disse...

O silêncio de um olhar diz tudo.

Borboleta disse...

Eu gosto tanto de Antero de Quental, mas não consigo perdoá-lo pelo que fez com Castilho. Estranho, não? Amo-o e não o perdôo. Não o perdôo também pelo que fez consigo mesmo, pouco tempo depois. Não me perdôo ainda pelo fato de não o perdoar.
É gênio. É imortal.
Beijos, muitos