Não, não era esmalte telha, era esmalte laranja... laranja lápis de cor, laranja-gari, sabe assim, laranja mesmo?
Eu já tinha dado aula, preparado a outra... estudado, jogado, lido... já tinha.
Pensado em pessoas, já tinha... e já tinha sonhado acordada e já tinha esquecido do sonho.
Já tinha me alongado, saudado ao sol, à lua e a qualquer coisa que o yoga resolvesse me convencer a saudar.
E saído de casa, já tinha saído, estava de boa, estava em casinha, cansada, entediada....
E vi o esmalte laranja. 'Nunca vou usar isso', pensei quando minha avó moderna me deu o dito cujo. Estava totalmente enganada. Não tinha noção de quão distrativo e atraente é um esmalte laranja numa sexta de tarde friorenta e chuvosa entre uma aula e a festa (à qual não sei se quero ir) da noite....
Um esmalte laranja, pseudo modernoso e na verdade brega, beeem brega, salva uma chatíssima tarde de sexta-feira, tão mas tão chata que poderia muito bem ser uma noite domingo.
Um comentário:
Vou lembrar de comprar uma camisa verde água e turquesa e uma bermuda florida laranja (sim, laranja!) e vermelha pra quando eu estiver me sentindo entediado. Acho que também deve resolver, né?
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