quarta-feira, 22 de setembro de 2010

meio termo

Percebeu o tempo desperdiçado. Percebeu o quanto se segurou às coisas todas que não levariam a lugar algum, o quanto se protegeu. Desta vez, ficou claro o tanto que se entregava e se envolvia com o que, certamente, daria errado, com as pessoas mais difíceis, com os relacionamentos impossíveis. 
O fracasso, a dificuldade, o desafio eram muito sedutores e não deixavam que se percebesse o quanto o amor deveria ser simples, poderia ser fácil.


Honestamente?


A facilidade era entediante. As coisas muito simples não costumam prender a atenção. 
E, então, prolongava-se a espera... pelo amor impossível, pelo sonho, pelo conto de fadas. 
Não podia acreditar que deveria se satisfazer com um relacionamento frágil, sem arroubos e explosão, sem paixão de verdade. Não conseguia aceitar que as pessoas são, em sua inquestionável maioria, iguais, medianas, médias. Não tolerava esses relacionamentos insossos, esses nem sal nem doce, essa coisa meio termo, meio triste. 
Não queria se acomodar e amar pela metade.

4 comentários:

Kitsune disse...

Me identifiquei com esse pensamento cíclico, que deliberadamente insiste em algo que faz mal. Deliberadamente e honestamente. Aceitar a incapacidade de mudar é um grande passo (que não leva à nada, neste caso).
E você sabe falar de amor. Admirável.

Sunahara disse...

amar pela metade é não amar...

Tato Capdeville disse...

Esse sou eu buscando o mais difícil, encontrando prazer no que bata de frente. É isso que me movimenta.

Fantástico Lu!

Unknown disse...

Querer o que é impossível e refutar o que é possível, mas não tão aventureiro quanto o impossível. Tem certeza que o real é tão insosso assim?

Ou há um bloqueio em se fantasiar com o que é possível!? Em se entregar?

No mundo das idéias, tudo é aventura. Mas é nele que a felicidade é parcial, metade, cômoda... no mundo real há a resposta, o toque, o amor, o ouvir e falar, o sentir em duas vias, e não em apenas uma.

Sou muito chata por ter voltado ao início, na parte do "tempo desperdiçado"? Te amo muito, prima, honestamente! Quero muito ver você feliz!

E você sempre escreve lindamente!