terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Desfecho

Saiu mais cedo do trabalho. Era aniversário de namoro e tudo deveria ser perfeito. Tinha planejado tudo desde cedo. Comprou até uma embalagem nova para o presente. A da loja era muito simples pra ocasião, era muito simples pra ele. Ele merecia tudo.
No carro, love songs deixavam o mundo colorido. Nem o trânsito, pior que o habitual para o horário, iria atrapalhar... Reparou em detalhes da rua, na praça que hoje estava toda florida, no senhor que cuida da mesma lojinha desde sempre. Chegou em casa. Papo de elevador. Nem dez palavras e o vizinho já sabia que era seu anuversário de namoro, 2 anos, já, imagina... Como passa rápido!
Em casa, encheu a banheira de água quentinha, derramou óleos cheirosos, sais de banho... Ligou o rádio com aquele CD de blues, aquele que ele deu de presente pra ela no, sei lá, segundo mês juntos.... Sacudiu a superfície da água com a mão de dedos finos até fazer bastante espuma. Foi até o quarto, desligou o celular, tirou o telefone do gancho, fechou a cortina.
De frente pra banheira, ela tira os chinelos e o roupão, balançando de leve o corpo ao som da música. Entra na banheira, brinca com a espuma, mexe os dedos do pé, da mão... desembaraça os cabelos, descansa, relaxa. Fecha os olhos para ver melhor o que seria da noite... Reelabora discursos, imagina momentos, pensa em que roupa usar, que brincos, lembra que devia ter comprado aquele sapato azul marinho.
Fica imersa naqueles sonhos cheirosos uns bons 40 minutos e então deixa o perfume descer pelo ralo, toma uma ducha gelada e sai do banheiro, renovada.
De roupão ela volta pro quarto, lentamente sorrindo. Deitada na cama, sente as gotinhas descendo pelo cabelo, no colo, nas costas... Liga o celular, coloca o telefone no gancho e se veste.
Toda tão bonita.
Cada detalhe tinha sido escolhido a dedo. Brincos, colar, vestido, anel, aliança... Uma lingerie nova, vestido um pouquinho mais curto, sandália alta, bem alta. Estava voltando pro banheiro para terminar a maquiagem quando o telefone toca. É ele! Ela sorri por dentro, por fora... A voz dele é como o estouro de uma champagne! É a promessa de coisas boas, coisas lindas, dá sede, acelera o coração, dá vontade de mais tudo, faz tão bem....

Mas ele avisa da reunião de última hora, avisa que só volta de madrugada, pede desculpa, eles se encontram amanhã. Que tal? Pode ser?

Um comentário:

Sunahara disse...

UAU!

Desfecho ótimo, perfeito.

Adorei :)