quinta-feira, 4 de agosto de 2011

na gaveta

Na gaveta empoeirada morrem fotografias. O esquecimento vai apagando as tintas, borrando os rostos. Lembrança e registro se perdem na idade. Tudo é calmamente sem vida. O tempo ali já não passava mais. Era passado.
Pequenos olhos curiosos observam a gaveta ao longe. No quartinho dos livros da avó tudo era mistério e promessa. Que teria naquela gaveta? Que tesouros? Que segredos?
Toda uma história proibida, um segredo intocado. Piratas e reis depostos, princesas a serem resgatadas, relíquias. Pérolas. Preciosidades.
- Sua mãe chegou pra te buscar.
E todo o mistério do mundo parou pra esperar, calado, num fundo de gaveta.

Um comentário:

Artur Gelumbauskas disse...

Há uma porta no meu armário que não se abre há tempos. O vidro fumê não revela o que de bate pronto as memórias trazem à tona.
Na frente dessa porta, passam inovações, trabalhos, hobbies, metade do meu eu.
Por trás dela, ainda que manchada e velha, a outra metade continua intacta. Porque, na frente dela, posso perder tudo de mim. Por trás dela, nada de mim.