quinta-feira, 20 de junho de 2013

Mulher de Malandro

Ela já sabia. Já tinha sido mulher de malandro antes. O mesmo passo arrastado, a fala doce, a ginga, o amor amado... e livre. O que esse teria de diferente?

O mesmo flerte constante e para todas, a mesma necessidade de se provar desejado e desejável, a mesma sede de quan-ti-da-de de todos os outros. Ela já sabia. Sabia do jeito dele enlouquecer cada uma, fazer com que cada centímetro delas se soubesse especial. Sabia que era perigoso, sabia.

O que esse teria de diferente?

Ria pra ela como ria pras outras. Pulava dos braços da amada pra cama de qualquer uma querida, linda, doce que desse chance. E de cama em cama ia somando e se diminuindo. Passava pelos lençóis como que lê um livro, contínua e naturalmente. E todo o resto, jogado no silêncio das coisas ignoradas.

O que esse teria de diferente?

Não comia ela no carro. Não levava pra beber. Não chamava de bêbada e batia sem pedir. Não era igual, sendo totalmente a mesma coisa. Não deixava hematomas, mas machucava.

Em um gesto sujo de quem não se dá ao respeito, ele leva os beijos dela, ainda molhados, pro corpo de outra mulher. Na mesma cama. No mesmo quarto. No mesmo dia.

Será que eu me deitei nos mesmos lençóis que ela? Provavelmente sim.
Será que ele me beijou e beijou ela no mesmo dia? Talvez sim.

Talvez, provavelmente, sim, não.

O que esse teria de diferente? Ela já não sabia.

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