Você gosta de mim, eu sei. E me cuida, é onde quero estar. Você me protege e me esquenta. Me empresta o casaco, se faz de travesseiro e cobertor.
Você é meu destino e meu refúgio. É onde eu quero estar e para onde quero ir.
E gosta de mim. Eu sei que gosta, eu sei que sim.
Mas não sinto mais seu olhar derretido, nem sua expressão entregue só porque eu estou ali. Não te vejo meu, não me vejo sua. Não quis ser sua. Pela primeira vez, um não.
Estamos longe um do outro e ausentes. Não quero que seja o prelúdio do fim, mas talvez isso que o destino esteja desenhando. Somos como uma aquarela que não secou, estamos ficando borrados. As camadas de tinta sobreposta deixam de ser harmoniosas misturas e viram conflito? Ou será que ficaremos, depois de secos e prontos, uma coisa qualquer surrealista impressionista?
Eu espero, com toda a energia que já gastei conosco, com todos os sonhos que ainda vamos ter, que seja uma fase. Que voltemos a ser felizes no hoje.
Hoje não estou feliz.
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