segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Coliseu

Era uma gladiadora. Sozinha em um Coliseu, todos torciam por seu sucesso... e seu fim. Trágica e cômica, ria, brincava com as armas, traçava linhas pelo chão com a naturalidade de quem já encarou possíveis fatais términos tão piores e sobreviveu. Podia ser esse o fim. Ou o próximo. O outro, mais um, e assim vai...

Lutava contra outros gladiadores. Violentos, ensanguentados, desleais. Atacavam antes de um sinal permitido, usavam golpes baixos, mas não acabavam com ela. A armadura se lascava, cicatrizes foram cavadas em toda pele visível. Ela se machucava, sim, mas aquela era a luta que lhe tinha sido destinada e que era aceita resignadamente.

O público, cheio de opinião, hora vaiava, hora louvava. Não sabiam o que queriam, queriam alimento e diversão, pão e circo e sangue, pouco importava quem estava ali.

Assim como não importava quem usava armadura quando o imperador que a tinha jogado ali decidia que era a hora de soltar as feras. Bestas assustadas e inseguras, com medo de si e das outras, atiçavam-se pelo barulho da multidão e atacavam, sem motivo, sem fome, por medo.

Ela lutava, se feria, levantava, lutava eternamente. Só tinha medo que, um dia, o imperador decidisse pelo seu fim, ignorando imperialmente toda luta de todo dia.


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