A Terra... ela é redonda. E ser redondo quer dizer que algo se inicia e termina onde recomeça e se encerra sem acabar.
Eu tinha medo de coisas assim, ciclos sem fim. Ainda tenho, na verdade. Acho que coisas sem fim podem ser perigosas. Entenda, o perigo não está em não acabar, mas na insistência em existir e continuar, como uma mancha que não sai ou uma ferida chata que não cicatriza.
Pois bem, estava eu com uma cápsula do tempo em mãos. Sim, um objeto que guardava em si parte da minha vida, todo um tempo, todas as fotos, muitas das memórias. As boas, em pastas visíveis, as ruins em cantos esquecidos... Seria este um atalho para um desses ciclos sem fim?
Sabe essas formigas suicidas que andam em círculos até morrer? Elas não sabem que estão se matando. Elas só percebem que tem que andar... E andam... Repetindo mais do mesmo, sem perceber, sem saber parar, numa coisa desesperada e fatal.... sem fim...
Não queria ser uma delas.
Mexi, abri, vi. Vi que tinha muita coisa pra jogar fora. Percebi que as coisas insistem e existem o tempo que a gente deixar. Entendi que nem toda história deve ser prolongada. Aceitei que as coisas que não fazem mais bem devem mesmo chegar ao fim.
Guardei o que do ontem julguei digno de memória. Joguei fora o que me doía, deletei históricos e abri espaço no hd.

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