Desculpe.
Eu gostei de você como quem tem esperança na vida.
Gostei como quem sonha com uma coberta macia e uma cama para descansar.
Gostei como amiga e como mulher, gostei sim.
Mas, hoje, vou me despedir. Eu tenho que ir.
Estive feliz e segura do seu lado.
Sem risco... Sem mágoa... Sem explosões.
Sem dizer adeus, sem lágrimas...
Preciso ir.
Você me ajudou em tantas vezes que eu nem mereci... Obrigada.
Me visitou e comprou meus sonhos. Minhas bobagens...
Companhia. Companheiro.
E agora eu preciso te abraçar, e te deixar partir.
Eu tentei não mudar a gente.
Por favor, acredite.
Tentei não magoar um centímetro de você.
Mas não vai dar: é justamente isso que eu vim fazer....
Magoar o mínimo possível, é claro, mas magoar.
Vou te manter num espaço reservado e especial.
Um lugar das coisas que só fazem bem.
Um lugar das coisas pelas quais a gente agradece...
Vou te proteger, guardar, cuidar...
Para que, assim, eu possa ir.
E se eu achasse que eu poderia um dia voltar, eu te pediria que esperasse...
Mas eu não sei aonde vou.
Só sei que vou.
Rápida.
Louca.
Correndo entre os carros.
Desviando daqui e dali, sempre em frente...
Como se na garupa de uma moto, eu estou indo.
Voando.
Desculpe.
Do que que você está falando?!
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