segunda-feira, 1 de março de 2010

Festa

Era um dia de festa. Dia de estar feliz, sinceramente feliz com e por quem a gente ama, muito. Era uma noite de celebrar junto, brindar várias vezes, beber, dançar... Era uma noite daquelas em que o mundo parece mais bonito, mais convidativo e a vida, perfeita.

As melhores roupas, os acessórios favoritos... As meninas colorem as maçãs do rosto, os lábios, arrumam os cabelos dum jeito diferente do rabo de cavalo de todo dia. Os rapazes trocam tênis e camisetas, casacos e jaquetas, por roupas mais sérias, mais apropriadas... Alguns até penteiam os cabelos, veja só...

No caminho, assuntos sempre compartilhados e piadas internas ocupam o tempo de maneira doce. O momento da chegada já é parte da festa. Nestes eventos, nestes dias D, é sempre tempo de abraços sinceros e apertados que mais que "Parabéns!", dizem "eu te amo", "eu estou aqui" e "é tudo por, para você". Abraços que querem traduzir em força ou tempo de duração o valor de amizades que simplesmente não podem ser explicadas. Verdadeiras, únicas.

Os amigos e amigas de festa, de farra, de dias ao sol, de dias fazendo tudo, de tardes fazendo nada e de tudo mais, se transformam... Como um súbito desabrochar duma flor, pode-se ver, diante dos olhos, a mudança de queridos meninos e meninas para lindos homens e mulheres, ainda amigos, claro, ainda juntos, sempre.

Engravatados, eles ficam perfeitos. Mesmo que só durante a primeira hora de festa. Depois desta, gravatas estão soltas, camisas desabotoadas e expressões de embriagada felicidade substituem a falsa seriedade da roupa social. As moças também se transformam uma segunda vez. Os lindos saltos, finos e altos, dão lugar às chinelinhas, às rasteirinhas ou ao até mesmo aos pés, descalços. Os cabelos, que estavam soltos e lisos, agora vão sendo aos poucos presos, pra evitar o calor. E aqueles que estavam presos, vão se soltando, pouco a pouco, no ritmo da música.

E a festa começa.

Agora pode-se pular, dançar, pode-se aproveitar tudo. Vestidos são encurtados, mangas dobradas, paletós largados com as echarpes e bolsas e tudo mais numa mesa, por ali. Dançam juntos numa sintonia absoluta. Não há o menor indício de vergonha: não há protocolo a ser seguido nesses dias de absoluta felicidade, cercados de pessoas tão especiais. Pode-se tudo: dançar demais, beber demais, falar qualquer coisa, rir do que for... Viver, completamente, feliz. Podemos tudo, quando estamos entre esses verdadeiros amigos.

Passos mal coreografados se misturam a abraços sinceros, a beijos apertados, às mais engraçadas poses para a máquina fotográfica. As fotos destes rostos, já despenteados, já mais festeiros que arrumados, são as melhores. Eternizam momentos de tamanho companheirismo e carinho, olhares íntimos que revelam permitir tudo, perdoar tudo, saber de tudo e muito mais... Revelam ir, junto, aonde for. Eternizam momentos de amizade explícita, momentos de amor, e permitem que outros olhos descubram o que aqueles, já sabiam, seu amor, essa coisa, eterna e sem explicação, essa coisa estranha e verdadeira... Amizade.



Obrigada, meus amigos, por tudo.

3 comentários:

Unknown disse...

Um belo texto para um belo momento!
(quer dizer, belo quando transformado em texto, em palavras, em "letras", se me permite. porque, pelo que eu me lembro, foi uma noite bem escrachada!! hahahaha)

Maira disse...

concordo com a Paula.

Porém além de escrachada, foi uma das melhores noites!
Graças a todos vcs! :)

Sunahara disse...

lembrei da minha formatura. e o poder da literatura, do verdadeiro texto é ser multifacetado pra poder transpor o universo de cada um.

=**