segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tão forte...

Eu acho que ela é a sua cara.
Irritantemente desenhada nas suas medidas, com as suas formas e cores.
Combina. Encaixa. Seu número.
Odeio achar que ela é perfeita pra você.
Odeio ela, odeio você.

E odeio O passado.
Odeio cada um de seus passos, esse monte de desvios, odeio.
Não suporto a idéia de que você tenha se perdido, tenha saído do caminho.
Odeio que tenha buscado atalhos errados, odeio que tenha se manchado, se machucado.

Não tolero nem um pouco esse seu jeito.
Essa dedicação eterna. Não aguento suas certezas todas.
Esse monte vago de garantias.
Odeio que você perca tempo. É tudo isso perda de tempo.
Meu tempo.

Odeio os romances e as melodias e as cartas. E todo o pacote.
E surpresas e os perfumes mais caros. Também não bebo vinho.

Mas acima de tudo isso, nossa, odeio você.




Diriam que ódio é uma palavra muito forte, que eu não deveria falar assim.
Mas "amor" também é palavra forte. E essa nem é censurada.
Ainda que doa bem mais.

3 comentários:

Sunahara disse...

A sábia Jurema disse uma vez: muito pra oriente é ocidente...

Artur Gelumbauskas disse...

Eu ainda acho que é o oposto. Que você concentra no ódio todo amor que não pode ser.
E essas coisas são engraçadas... as pessoas não são mais as mesmas, você não é mais o mesmo... e você sabe o quão estranhos se tornaram depois de tanto tempo, mas tem algo que não muda... por causa disso, por causa de se acostumar já com o que é (na verdade, o que não é), nos acomodamos. E a história continua descontinuada...

Ivan disse...

E eu odeio saber o quanto eu já senti e sinto esse ódio!