sábado, 28 de maio de 2011

Impossível

Ele era o tipo de homem impossível. Todos sabiam. Ela sabia.
Ele era estrangeiro, inteligente, tinha um papo bom, falava de qualquer coisa. Alto, corpão, super charmoso. Desses homens de comercial de perfume. Uns dentes de um branco que ofuscava. Os olhos dum verde incontestável. Ela se dizia comum. Morena, olhos escuros, um sorriso tímido. Ele cruzou o mundo algumas vezes. Ela economizou pra fazer aquele curso de um mês.
Ficaram amigos. Cada um voltou pro seu país, pra sua distância.

Ele ainda dizia que iria visitá-la, que voltaria ao país, que iriam se encontrar logo. Jurava que ela era o único motivo pra cruzar o mundo, fingia não conhecer mais ninguém lá, fingia não ligar pra pouca roupa e pra muita festa. Ele realmente tentava convencê-la do que talvez fosse realmente verdade...
Ela fingia que acreditava. Tinha certeza que era mentira. Uma certeza seca, daquelas que não deixa dúvidas nem faz sofrer. Mas era uma fantasia tão doce que a menina se deixava acreditar nas declarações de amor feitas com sotaque.

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