E se a vida nos desse uma, só uma, chance?
E se a vida cuidasse de apresentá-la bela, caprichada, inesquecível... e nem avisasse que esta seria a única?
Cabe a nós a coragem de viver cada oportunidade como a primeira, a última e a única. A coragem de se deixar conhecer e tocar.
Todo envolvimento, todo segredo compartilhado, todo sentimento dividido... Todo momento, todo fechar de olhos e todo, todo amanhecer... Tudo é único e nada é igual.
Não somos iguais, não sentimos igual. Meu amor por você de hoje, não é o de amanhã. Já, também, não é o de ontem. É outro, simplesmente. Não entramos duas vezes num Rio, como amaríamos igual?
O esforço de fazer cada encontro dessa teia-vida valer, depende de conhecer e ignorar o medo de que seja único e da coragem de arriscar-se mesmo sendo a primeira e última chance.
Mas, e se for a única chance?
E se eu me dedicar a alguém e.... deixar a verdadeira, outra, única chance passar?
Mas e se...?
Eu não sei as respostas.
Vou seguir apaixonada, sonhando com a chance perdida, acreditando que ela ainda não passou e que, por isso mesmo, devo seguir apostando tudo. De novo.
Podemos só ter uma chance.
Ter apenas uma vez.
Ah, a liberdade mentirosa da literatura...
que nos permite criar heterônimos, personagens pra disfarçar um "eu" que já não queria mais ser.
Ahh, a mentira de dizer - numa tentativa de acreditar - que é para apostar tudo outra vez mesmo sabendo que, se há uma só chance, ela provavelmente já passou.
...E há de ter sido aquela que o seu peito lutou para proteger e você lutou para matar....
Um comentário:
Eu ainda me pergunto: o que era pra acontecer realmente ou se aconteceu realmente o que deveria. E é um caminho que leva à loucura... mas eu queria tanto saber...
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