domingo, 18 de março de 2012

É verão

Corpos frios não amam. Nem vivem, nem falam, nem mentem, nem são.
Almas frias morrem em vida, vazias, solitárias, glaciais.
É morte em vida mesmo. Morte fria, sem sol nem sertão.
Experimentei essa morte, esse frio severino que só...  tão só.
E penei, retirante de mim, fugindo do que eu era, procurando o mar.
E fugi em busca do sol ou coisa quente, aguardente, qualquer.
Queria derreter. Quebrar o gelo. Virar nuvem.
Mas não.

Não tinha resposta, não tinha calor, nem energia.
Chorei de medo, de dor, de frio.
Chorei todo aquele gelo que ia derretendo.
Virei água, aguada, insossa, incolor.
Continuei aguada e aguando.
Mas vi que o calor vinha de mim,
desse ritmo no peito, coisa quente, em ebulição.
Resolvi acelerar as batidas e esquentar a vida e...
Evaporei, sumi por uns tempos, virei mais que nuvem,
virei toda vapor,
toda calor.
Virei verão.

Agora sigo por aí, esquentando sorrisos,
trocando calores, derretendo geleiras...
Quentinha que só. Bem quente, Verão.

É  que "gente de mão quente não pode ter coração gelado".


Dialogando com o menino que precisa de calor...

Um comentário:

Marcelo Moro disse...

Passa de uma descrição simples dos eventos do tempo, é um solstício de carne e osso