domingo, 20 de setembro de 2009

Pela janela....


Toda a luz do quarto vinha da janela.

Era mais uma vitrine que uma janela. Oferecia todo o mundo, o céu, as ruas... quaisquer destinos, milhares de caminhos... mas tinha um vidro na frente. Um vidro que diminuia os sons da rua, o canto dos pássaros, o vento, a vida.

Emoldurada por toda a solidez escura das paredes, deixava claro: esta é toda a sua liberdade, toda sua possibilidade: uma passagem de luz, vedada por um vidro. A janela entregava de bandeja a exata falta de liberdade do seu cubículo de dormir, de sua casa, de sua vida.

E ela olhava a pela janela. Para nada além da janela.

A pupila diminuia a cada vez que a menina fugia do escuro do resto do quarto pra fitar a iluminada janela. Ela gostava do olho incomodando e da sensação de que, mesmo ali, aprisionada, tinha pra si, só pra si, uma vitrine com todas as possibilidades do mundo.

4 comentários:

Beta disse...

Tente ser otimista... o vidro também te protege da poluição, dos assaltos, do prio do seu namorado ouvindo músicas bizarras há 3 horas enquanto você está com a dor de cabeça do século por causa de uma gripe que, por sinal, você pegou fora da janela...

Eduardo Lara Resende disse...

Belos textos. Vou seguir V.
E, se puder, visite http://www.pretextoselr.blogspot.com/

Abraço.

Artur Gelumbauskas disse...

Bonito! =D
Nunca tinha reparado nesse sentimento, talvez preso um pouco mais preso do que o normal, mas acabei de o identificar. E como sempre, o que você escreve me faz muito sentido. =D

Nidiane Latocheski disse...

Adoreeeeeeei!! tô seguindo!!
parabéns pelas palavras no perfil, principalmente! Dizem tudo sobre o blog..
bj
Nidi