
Toda a luz do quarto vinha da janela.
Era mais uma vitrine que uma janela. Oferecia todo o mundo, o céu, as ruas... quaisquer destinos, milhares de caminhos... mas tinha um vidro na frente. Um vidro que diminuia os sons da rua, o canto dos pássaros, o vento, a vida.
Emoldurada por toda a solidez escura das paredes, deixava claro: esta é toda a sua liberdade, toda sua possibilidade: uma passagem de luz, vedada por um vidro. A janela entregava de bandeja a exata falta de liberdade do seu cubículo de dormir, de sua casa, de sua vida.
E ela olhava a pela janela. Para nada além da janela.
A pupila diminuia a cada vez que a menina fugia do escuro do resto do quarto pra fitar a iluminada janela. Ela gostava do olho incomodando e da sensação de que, mesmo ali, aprisionada, tinha pra si, só pra si, uma vitrine com todas as possibilidades do mundo.
4 comentários:
Tente ser otimista... o vidro também te protege da poluição, dos assaltos, do prio do seu namorado ouvindo músicas bizarras há 3 horas enquanto você está com a dor de cabeça do século por causa de uma gripe que, por sinal, você pegou fora da janela...
Belos textos. Vou seguir V.
E, se puder, visite http://www.pretextoselr.blogspot.com/
Abraço.
Bonito! =D
Nunca tinha reparado nesse sentimento, talvez preso um pouco mais preso do que o normal, mas acabei de o identificar. E como sempre, o que você escreve me faz muito sentido. =D
Adoreeeeeeei!! tô seguindo!!
parabéns pelas palavras no perfil, principalmente! Dizem tudo sobre o blog..
bj
Nidi
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