Estavam saindo da aula. Chuviscava de leve, mal dava pra sentir. Iam se esbarrando, encostando mãos e braços, de leve, aqui e ali. Quase por acaso. Riam muito. Um fazendo graça pro outro, contando suas histórias, gesticulando. Não havia mais nada naquele momento, naquela cidade cinza.
O vestido da menina, aos poucos, pesava. A chuva obrigava o par a acelerar os passos. A caminhada transformou-se em corrida. Já não havia tempo pra desviar das poças pelo caminho, nem do lamaçal, nem de nada. Eles esqueceram, até, de fugir, um do outro. Seguiam a amarelinha de poças e lama tentando manter a proximidade. E gritavam conversas tentando vencer os trovões.
Chovia chuva, choviam raios... Chovia, muito.
Êee, cobertura, dizia num sorriso molhado a menina. Você tá encharcada, hahaha... Ela se sentia corar, abaixou os olhos, mexia na saia. Pingava. Tá linda. Sem levantar o rosto, os olhos dela procuravam os dele. Sorriram por um bom tempo, até outro raio cortar o céu, cortar o clima.
O silêncio entre um trovão e outro, agora, no seco, tornava-se constrangedor. As mãos dadas secavam aos poucos, a chuva diminuía sim, mas sem nunca parar.
Vamos indo?
Ela sorriu em resposta... Quem está na chuva é pra se molhar.
Do que que você está falando?!
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2 comentários:
sabe qual a parte mais bela? "Tá linda". O jeito como ela entra no texto, simplesmente é fabuloso.
Beijos, querida
Tá lindo... o texto, seu jeitinho, VC é linda ^^ primaaaaaaaaaa
*tem críticos literários aqui! O.O?*
BJS
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