Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
"Uma ausência que significa", dizia uma professora de linguística sobre alguma coisa, um grafema, acho eu, cuja ausência dá um sentido específico a esta ou aquela palavra. Essas ausências são tão formadoras e importantes quanto as presenças. O vazio no quadro, o espaço entre as palavras e o entrelinhas da poesia, são tão obras de arte quanto as cores, as letras.
Eu digo saudade. Uma saudade tão parte de mim e tão minha que nem quando estiver por perto vou deixar de sentir. Saudade do que foi, do que fomos, de você, saudade de mim, de sonhar. Uma saudade tão grande que dá sentido a todas as loucuras, a todos os planos, aos sonhos mais absurdos... Uma saudade tão recíproca que eu consigo curtir... Curtir você, a gente, nossas saudades, essa distância.
E faz anos que desconfio e faz meses que descobri... sou toda feita de saudade.
2 comentários:
Eu ainda passo por aqui. E ainda me emociono com o que escreve.
Gosto do que V. escreve, Luísa. Gosto muito e acho que deveria ler mais V.
Abraço grande.
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