domingo, 27 de junho de 2010

Voyeur

Eu te olho tanto que posso te sentir.
Vejo você acendendo um cigarro, vejo a fumaça que sai pela sua boca,
brinca nos ângulos do seu rosto magro e some no ar.
Teus olhos azuis infinitos me perdem, viajo.
Sua barba por fazer eu vejo. E, áspera, ela disfarça seu sorriso.
Seus dedos magros batucando a mesa, a borda dum copo.
Vejo tuas digitais marcadas na garrafa que você levou à boca,
sua boca, que boca.
Te vejo inteiro e te vejo, só.
Você está numa vitrine.

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