Sinto sua falta.
Mas não sua falta de hoje, falta do você de hoje. Falta de como você era antes, falta do que eu era antes. Falta da gente... antes.
Queria você de volta, pra mim. Sem malícia, sem o romance que inventávamos toda noite, sem toda nossa farsa, nosso conto de fadas em que fingíamos não haver mais ninguém em lugar nenhum. E escondíamos mágoas e desconversávamos e apresentávamos álibis mis, pra esconder nossa própria culpa.
Queria você por perto pra umas cervejas e uns cigarros. Uns beijos talvez, mas não sempre, não tudo, não como era. Queria um você que não tivesse medo de se aproximar de mim e de se envolver.
Eu queria um a gente que não fosse nós, entende? Uma dupla que não fosse par. Homem e mulher, mas não casal.
Tenho saudade duma amizade sem muita coisa em comum. Só uma amizade mesmo, sem fundamentos, justificativas ou porquês. Era e só. E que por isso não tinha crises, nem ausências. Tinha companhia e pactos. Tratados sem assinatura, confidências, relatos sem testemunhas. Ou quase sem testemunhas: meus segredos você guardava. Os seus eu fingia não saber, pra não ter que falar sobre.
Saudade de quando éramos amigos. Sentávamos de tarde pra falar de nada. Fazer nada. E ríamos sem a malícias dos beijos que já aconteceram ou as cinzas de paixões que já acabaram.
E eu mexia no seu cabelo sem que você viesse buscar um beijo. E brincava com suas mãos e dedos sem que você pensasse em todos os sentidos que mãos dadas podem ter.
Porra, que saudade de ser só sua amiga. Entenda, não odeio nossas memórias e insônias, os amanheceres que víamos da varanda, do carro, do meio da rua. Não nego a beleza de tanta coisa compartilhada, nem a delícia de acordar com você do meu lado. Só que alguma coisa se quebrou. Talvez a distância tenha esfriado a gente, tenha modificado você, mudado coisas em mim, não sei. Não quero saber o que mudou, mas mudou.
Nunca vou dizer que não sinto nada por você. Sinto tudo, sinto mesmo, mas sinto menos.
Sinto muito.
Nunca vou dizer que não sinto nada por você. Sinto tudo, sinto mesmo, mas sinto menos.
Sinto muito.
Espero que não seja tarde pra gente ser só a gente
e que a próxima carta eu possa dirigir a um amigo, não a um ex amor.
e que a próxima carta eu possa dirigir a um amigo, não a um ex amor.
Si.
Um comentário:
Um ex presente, futuro, etéreo e eterno amor ...fonte de mel e cor nas tuas palavras...
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