terça-feira, 21 de junho de 2011

Ele - 3

Meu príncipe estrangeiro. Quase inventado, saído de livro, quase de mentira. Passamos mais tempos juntos em sonho e em fantasias do que por perto. E me prometeste que a distância não seria nada demais, que faríamos não ter importância. Lembro-me de tudo que teria que acontecer, lembro dos planos e do futuro, lembro do nossos roteiros imaginados e de Veneza. Lembro que não aconteceu.
Acharia que foi tudo sonho. Mas reconheço teu cheiro num cigarro, sei a marca do teu perfume. E ainda oiço do teu sotaque, tuas voz grave e risada rouca. Sinto tua barba, a tua magreza nas mãos e teu jeito desengonçado de me fazer rir. Lembro de quando tentávamos nos entender e desistíamos em abraços sem beijos.
Guardo pequenas coisas como provas de que não foste só um sonho curto. Tenho comigo o livro que tu me deste, tua letra magra na dedicatória doce. Tenho o disco de fado. Tenho tua foto e um dos teus cigarros. Tenho o gosto da tua pele. Peste.

Um comentário:

@Thiactor (Satya Gandharva) disse...

vale pros anteriores tbm:
(grande suspiro)
seguido de grande silêncio....
e um balançar afirmativo com a cabeça de identificação um pouco tímido e até meio encabulado.
uma frase:
É foda, e por isso que é bom, até quando é péssimo.