quarta-feira, 15 de junho de 2011

Acreditar

O menino mais novo a puxou pelo braço. Perguntou onde andariam as estrelas. Ela respondeu sem cuidado que estavam no céu, oras, onde sempre estarão. O pequeno pescoço se esticava, os olhinhos passeavam na imensidão escura, implorando por uma resposta. Não vejo nada... Nada!!
Só então ela parou para observar. Realmente as nuvens tinham cobrido o brilho das estrelas. O céu estava opaco e cinza, sem lua, sem luz, sem brilho. Ela volta os olhos para o pequeno curioso, o pega no colo e explica o acontecido, apontando estrelas disfarçadas. Conta que as nuvens escondem as estrelas às vezes, mas que as estrelas ainda estão lá no alto, lá longe. Como ela sabia? Como acreditava naquilo? Ninguém sabia se as estrelas ainda estavam lá.
Ele perguntou então se podia subir na árvore. Depois numa escada. E então quis o alto do prédio vizinho. Deixou escapar seu plano de estar mais alto que as nuvens e, finalmente, ver se todas as estrelas continuavam lá. Ele brilhava de esperança. Não é suficientemente alto, disse a mãe quase triste. E foi ficando mais triste a cada novo plano imaginado pelo caçula.
Passado um tempo, quando ela já tinha desistido de tentar achar estrelas, chega o menininho. Saltitante. Eu resolvi tudo. Os bracinhos esticados o longe mais longe possível, anunciavam a partida das nuvens, a chegada das estrelas. Puxou a mãe pela mão e quando chegaram na janela disse:
- Mãe, mãe! Eu soprei as nuvens pra longe pra você ver as estrelas, mãe. Tó, mãe, as estrelas, ó. 

Ela olhou pro céu. A via láctea, prosa de si, brilhava e iluminava a noite como se nunca tivessem existido nuvens. E enquanto seu menino corria pela sala comemorando a vitória, deixou cair uma lágrima de quem também queria acreditar.

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