terça-feira, 21 de abril de 2009

Back into the game

Não era um amistoso. Era um jogo jogo mesmo, pra valer. Tudo bem, não era uma final, mas que era um clássico, ahhh, isso era.

E o juiz apita, começa o jogo. Chute pra cá, chute pra lá. Vários chutes a gol. Ainda não sei bem se foi um bom jogo ou uma pelada. Algumas várias faltas e dribles e o juiz ergue o braço: mais 4 minutos de jogo. Aos 49, depois de muita emoção, suor e várias jogadas quase-de-mestre depois, apita o árbitro. Fim do primeiro tempo.

Torcida a favor, torcida contra... Todos têm o que dizer, do que reclamar. Menos os dois times, que nada dizem, nada fazem, retirados nos vestiários.

Melhores momentos são reprisados entre o replay de uma falta ou outra, até a hora do reencontro, recomeço... 2º tempo.

Os times trocam de campo, apertam as mãos novamente, como se o jogo começasse ali e nada tivesse acontecido antes. Mas na verdade os jogadores que tomaram faltas ainda estavam em campo, ressentidos e com hematomas. Os que tinham perdido gols, agora tinham mais gana e mais vontade... e raiva do goleiro. Uma falsa aparência de começo de jogo, quando, na verdade, já estavam quase no fim.

No 2º tempo os times estavam mais conscientes de si... e querendo mais competir, querendo mais ganhar do que querendo jogar.

Naturalmente mais cansados, com mais pressa, com mais sentimentos envolvidos, os dois times se tornam explosivos, nervosinhos... Ih! Um bate boca, dedos na cara. Expulsão! Sai um, saem dois jogadores de cada time! Saem cercados, se xingando, cada dupla pro seu canto.

Os dois times, agora capengas, insistem em jogar como antes. Não mudam estratégias, não mudam coisa alguma, insistem, só, em competir, em ganhar.

Quase aos 45, o juiz ergue o braço com 5 dedos bem esticados... mais 5 minutos, avisa.

Mais 5 minutos... de nada, de uma partida, agora violenta, mas 0x0, como antes. Partida em que ninguém ganhou, ninguém perdeu. Nem quem assistia aproveitou tanto assim. Pelo contrário, cansou-se, de tão repetitivo e cansativo e previsível que foi o clássico.

Os jogadores cansaram-se. O público vaiava no estádio, em casa, mudavam de canal.

O fim de jogo seria 0x0? Será que seria uma decisão na prorrogação? Nos pênaltis? No "morte súbita", no "quem fizer ganha", no gol d'ouro?... Não era preciso, não era decisão, nem tão pouco final de coisa alguma. Era um jogo, só. Era só o clássico de suas vidas, só o clássico...de suas vidas.

Os jogadores caiam no chão, desistiam, com a cabeça entre as mãos e os olhos molhados de raiva e decepção.

Apita o juiz. Acabou o jogo. Ninguém saiu vitorioso, mas todos partem pro próximo jogo e seguem no campeonato. Alguns bem que queriam parar, deixar pra trás, silenciosos, tímidos, envergonhados e sem força, coragem ou confiança pra encarar outros jogos. Preferiam que o campeonato estivesse acabado ali, naquele não gol, naqueles segundos. Preferiam nem jogar mais, nem nada. Queriam ir pras suas casas fingir fim de carreira.

Mas mesmo estes são jogadores. Talvez sejam ainda mais jogadores, mais apaixonadamente jogadores que os demais, que não sentem o fim do jogo. Mas, dum jeito ou de outro, jogadores que são, foram feitos pra jogar. Não saberiam fazer outra coisa... Deixam passar um dia ou dois e estão de volta ao campo, de volta pro jogo. De volta, de novo, para as suas vidas.

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