domingo, 10 de abril de 2011

ventania

Hoje eu me vi sentada na escada pensando em você. Passou um vento e puf, te levou embora. Eu ia vendo o seu rosto sendo soprado pra longe. Primeiro fiquei chocada, parei, assisti. Depois me bateu um desespero... Como eu podia deixar que tirassem isso de mim? Tirar você de mim? Eu lá quero isso? Não! 
E aí eu corri, corri muito, corria, estendia o braço, mas não conseguia te alcançar. A brisa virou vento e uma ventania te levava pra longe. Você tinha fugido, mesmo. E quando não aguentei mais correr, respirei fundo, diminuí o ritmo, desisti... Saí andando, olhando pro vazio.
Vejo um passarinho verde voando baixo. A manchinha verde voadora me faz achar que as coisas todas ficam bem. Sigo-o com os olhos e... veja! Preso numa árvore, o pensamento de você! Mas que coisa, logo quando eu tinha aceitado que tinham te levado embora... Me estiquei toda e não alcancei. Pulei uma, duas, três vezes e nada. Ai ai ai...
Pensei em mim, na minha altura, no quanto eu queria de volta o que o vento roubou de mim, no que eu poderia fazer... 
Olhei pra cima e... idéia: aproveitei o pensamento todo confuso dando sopa, peguei, pisei nele, pisei em mim, alcancei você.


: )

Um comentário:

Marcelo Moro disse...

os olhos do poeta estão sempre atentos a tua menor duvida ou tristeza , e voam ao vento...